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MEI e renda extra

Como abrir um MEI em 2026: passo a passo e valor do DAS

Atualizado em 23 de julho de 2026 6 min de leitura Revisado
Arte do Benefício Claro sobre como abrir um MEI em 2026

Virar MEI (Microempreendedor Individual) é hoje a forma mais simples e barata de formalizar um trabalho por conta própria no Brasil: o cadastro é gratuito, sai pronto na hora pela internet e dá acesso a CNPJ, emissão de nota fiscal e benefícios do INSS. Este guia mostra quem pode abrir, quanto custa por mês, o passo a passo completo e o que muda com um projeto que tramita agora no Congresso.

O que é o MEI

O MEI é uma categoria simplificada de empresa, criada para quem trabalha sozinho — sem sócio — e fatura até um limite anual definido em lei. Ao se formalizar, a pessoa deixa de ser “informal” e passa a ter CNPJ, podendo emitir nota fiscal, abrir conta bancária de pessoa jurídica e vender para outras empresas. Em troca, paga uma guia única e mensal, o DAS-MEI, que já inclui a contribuição ao INSS.

Quem pode ser MEI

Para se enquadrar como MEI, é preciso cumprir todas estas condições:

  • Faturar até R$ 81.000 por ano (o equivalente a uma média de R$ 6.750 por mês), segundo o limite vigente em 2026.
  • Não ser sócio, titular ou administrador de outra empresa.
  • Exercer uma atividade permitida para MEI — a lista cobre centenas de ocupações (cabeleireiro, costureira, doceira, motorista de aplicativo, técnico de informática, entre muitas outras), mas exclui algumas profissões regulamentadas, como advogado, médico e corretor de imóveis.
  • Ter, no máximo, um empregado contratado que receba um salário mínimo ou o piso da categoria (a regra atual — veja abaixo o que pode mudar).
  • Não ser servidor público federal em dedicação exclusiva (servidores estaduais e municipais podem ter regras diferentes, dependendo do órgão).

Quem já é aposentado, estudante, dona de casa ou trabalhador CLT também pode abrir MEI como renda extra, desde que se enquadre nesses pontos.

Renda por conta própria não é o mesmo que emprego formal

MEI não é vínculo empregatício: você não tem carteira assinada por ninguém, não tem direito a férias remuneradas nem 13º pagos por um patrão. O que você ganha é o CNPJ, a contribuição ao INSS incluída no DAS e a possibilidade de vender e prestar serviço formalmente.

Quanto custa por mês: o valor do DAS em 2026

O DAS-MEI é uma guia única, que já reúne três parcelas. Em 2026, com o salário mínimo em R$ 1.621, os valores são:

  • INSS: R$ 81,05 (5% do salário mínimo) — cobrado de todo MEI, independente da atividade.
  • ICMS: R$ 1,00 fixo — só para quem vende produtos (comércio ou indústria).
  • ISS: R$ 5,00 fixo — só para quem presta serviço.

Na prática, o valor final depende da atividade cadastrada no CCMEI:

AtividadeComposiçãoValor mensal
Comércio ou indústriaINSS + ICMSR$ 82,05
Prestação de serviçoINSS + ISSR$ 86,05
Comércio e serviço juntosINSS + ICMS + ISSR$ 87,05

O DAS vence todo dia 20 de cada mês e pode ser emitido e pago pelo aplicativo “Empreendedor” ou pelo Portal do Simples Nacional, por boleto, Pix ou débito automático.

Passo a passo para abrir o MEI

  1. Verifique se você pode ser MEI — confira a atividade na lista de ocupações permitidas e se você não é sócio de outra empresa nem servidor público em dedicação exclusiva.
  2. Tenha uma conta gov.br nível prata ou ouro — suba de nível pelo app gov.br com reconhecimento facial, certificado digital ou validação em banco conveniado.
  3. Acesse o Portal do Empreendedor — entre em gov.br/empreendedor, escolha “Quero ser MEI” e faça login com CPF e senha da conta gov.br.
  4. Preencha o cadastro — informe dados pessoais, endereço, telefone, e-mail e a atividade econômica. O sistema pode pedir o número do título de eleitor ou o recibo da última declaração de Imposto de Renda para confirmar sua identidade.
  5. Baixe o CCMEI — ao concluir, o CNPJ já sai ativo e o certificado fica disponível em PDF na hora, sem custo.

Quais são as obrigações depois de virar MEI

Formalizar é rápido, mas exige manter duas rotinas em dia:

  • Pagar o DAS todo mês, até o dia 20. Atrasar gera juros e multa, e o acúmulo de dívidas pode levar ao cancelamento do CNPJ.
  • Entregar a Declaração Anual do Simples Nacional (DASN-SIMEI), até 31 de maio do ano seguinte, informando quanto faturou no ano anterior — mesmo que tenha sido zero.

Quem contrata um empregado tem obrigações extras (registro em carteira, FGTS, eSocial), o que costuma justificar a ajuda de um contador.

O que o MEI ganha em troca

Além do CNPJ, o DAS garante acesso a benefícios do INSS como aposentadoria por idade, auxílio-doença, salário-maternidade e pensão por morte, calculados sobre um salário mínimo de contribuição. O MEI também pode emitir nota fiscal, participar de licitações simplificadas e abrir conta em banco como pessoa jurídica — o que facilita negociar prazo e crédito.

O projeto que pode mudar o limite do MEI

Em junho de 2026, o governo federal enviou à Câmara dos Deputados o Projeto de Lei Complementar 186/2026, propondo elevar o teto de faturamento do MEI dos atuais R$ 81 mil para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028, além de autorizar a contratação de até dois empregados (hoje o limite é um).

Ainda é só um projeto

O PLP 186/2026 foi protocolado na Câmara e ainda vai passar por comissões antes de ir a votação — por ser lei complementar, precisa de maioria absoluta na Câmara e no Senado para ser aprovado. Enquanto isso não acontece, valem as regras atuais: limite de R$ 81.000 por ano e no máximo um empregado. Não faça planos de negócio contando com um teto que ainda não é lei.

Vale a pena abrir o MEI?

Para quem já vende produtos ou presta serviço informalmente, formalizar como MEI costuma compensar: o custo mensal é baixo perto do que se ganha em segurança (nota fiscal, INSS, conta PJ) e do acesso a mais clientes, principalmente empresas que só compram com nota. Já quem está apenas testando uma ideia de renda extra, sem faturamento regular, pode esperar um pouco antes de abrir — não há multa por atrasar a formalização, mas trabalhar sem CNPJ também significa vender sem nota e sem contar tempo de contribuição ao INSS.

Se você já recebe outros benefícios, como o Bolsa Família ou está pensando em usar o saldo do FGTS para dar entrada em um negócio, avalie com calma: renda extra é bem-vinda, mas o importante é manter as contas organizadas e nunca prometer a si mesmo um retorno garantido.

Perguntas frequentes

Ser MEI atrapalha quem recebe o Bolsa Família?
Não impede automaticamente. O que decide o direito ao Bolsa Família é a renda por pessoa da família, não o fato de ter CNPJ. Se o que você fatura como MEI, descontado o que a Receita considera despesa, mantiver a renda por pessoa dentro do limite do programa, você pode continuar recebendo. Vale declarar a atividade no CadÚnico e manter o cadastro atualizado.
Posso ser MEI e ter carteira assinada ao mesmo tempo?
Na maioria dos casos, sim — é comum abrir o MEI como fonte de renda extra além do emprego CLT. A exceção é quando o contrato de trabalho exige dedicação exclusiva ou proíbe outra atividade remunerada; nesse caso, confira com o RH antes de formalizar.
O que acontece se eu ultrapassar o limite de R$ 81.000 no ano?
Até 20% acima do teto (ou seja, até R$ 97.200), você continua pagando o DAS normal do MEI durante o ano e recolhe um DAS complementar sobre o excesso. Se passar de R$ 97.200, o desenquadramento é imediato: a partir de janeiro seguinte, o negócio passa a ser tributado como microempresa pelo Simples Nacional, com alíquotas maiores e mais obrigações.
Preciso de contador para ser MEI?
Não é obrigatório. As obrigações básicas — pagar o DAS todo mês e entregar a declaração anual (DASN-SIMEI) — dá para fazer sozinho, pelo site ou app do MEI. Um contador passa a valer a pena se você contratar empregado, tiver muitas notas fiscais ou precisar de orientação sobre a atividade.
Quanto tempo leva para abrir o MEI?
Se a sua conta gov.br já está no nível prata ou ouro, o cadastro leva entre 10 e 15 minutos e o CNPJ sai ativo na hora, sem custo. O tempo extra costuma ir para verificar o nível da conta gov.br antes de começar.
O limite do MEI já subiu para R$ 140 mil?
Ainda não. O que existe é um projeto de lei complementar enviado pelo governo à Câmara dos Deputados, propondo elevar o teto para R$ 110 mil em 2027 e R$ 140 mil a partir de 2028, além de permitir a contratação de até dois empregados. Enquanto o Congresso não aprova o texto, o limite vigente continua sendo R$ 81.000 por ano.

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