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INSS e aposentadoria

Quanto vou receber de aposentadoria? Veja como calcular

Atualizado em 3 de setembro de 2026 6 min de leitura Revisado
Arte do Benefício Claro sobre como calcular o valor da aposentadoria do INSS

“Vou trabalhar mais 15 anos, mas quanto isso vale no fim das contas?” É a pergunta que vem logo depois de descobrir a idade e o tempo de contribuição necessários. A resposta tem uma fórmula fixa — média dos salários vezes um coeficiente — mas os dois números dessa conta escondem detalhes que mudam bastante o resultado final. Veja como calcular, com um exemplo completo.

O que entra na conta do valor da aposentadoria

O valor mensal do benefício vem de dois elementos, multiplicados um pelo outro:

  • A média salarial (chamada de “salário de benefício”): a média de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994, corrigidos pela inflação até a data do pedido.
  • O coeficiente: um percentual que começa em 60% e sobe 2 pontos para cada ano de contribuição que exceder o tempo mínimo da regra usada para se aposentar.

O resultado dessa multiplicação é limitado por dois pisos: nunca pode ficar abaixo de um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026) nem acima do teto do INSS (R$ 8.475,55 em 2026).

Como se calcula a média salarial

Desde a Reforma da Previdência (Emenda Constitucional nº 103/2019), a regra mudou: a média passou a considerar todos os salários de contribuição registrados desde julho de 1994 — não mais só os 80% maiores, como era antes de 2019.

Isso funciona assim:

  1. O INSS reúne, no seu CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), todos os salários sobre os quais você contribuiu, mês a mês, desde julho de 1994 (ou desde que você começou a contribuir, se foi depois disso).
  2. Cada salário antigo é corrigido monetariamente pela inflação (INPC), para ficar em valores comparáveis aos de hoje.
  3. Somam-se todos os valores corrigidos e divide-se pelo número total de meses do período — incluindo os meses em que não houve contribuição, que entram como salário zero.
Meses sem contribuição pesam contra você

Esse último ponto é o que mais surpreende quem calcula pela primeira vez: como a regra atual não descarta mais os salários mais baixos (nem os meses vazios), períodos de desemprego, informalidade ou baixa renda dentro da janela contada reduzem a média final — mesmo que hoje você já ganhe bem mais. Quanto mais contínuo o histórico de contribuição, mais a média se aproxima dos seus salários mais recentes.

Como se calcula o coeficiente (60% + 2% ao ano)

O coeficiente aplicado sobre a média depende de quantos anos de contribuição você tem além do mínimo exigido pela regra pela qual está se aposentando (regra permanente, regra de pontos ou idade mínima progressiva — veja cada uma em aposentadoria por idade: idade e regras em 2026):

  • Base: 60% da média, para quem cumpre exatamente o tempo mínimo (20 anos de contribuição para homem, 15 para mulher).
  • Acréscimo: +2 pontos percentuais para cada ano de contribuição que passar desse mínimo.

Fazendo a conta ao contrário: o coeficiente chega a 100% com 35 anos de contribuição para mulher (15 + 20 anos × 2% = 40%, somados aos 60% iniciais) e 40 anos para homem (20 + 20 anos × 2%). Contribuir além disso não aumenta mais o coeficiente — ele já está no teto de 100%.

A única exceção é o pedágio de 100% (regra de transição para quem já estava perto de se aposentar em 13/11/2019): nela, o benefício já sai direto em 100% da média, sem passar pelo cálculo de 60% + 2% ao ano.

Exemplo completo

Um trabalhador se aposenta pela regra permanente aos 65 anos, com 30 anos de contribuição — 10 anos além do mínimo de 20 exigido para homens. A média dos salários de contribuição dele, já corrigida, ficou em R$ 3.500.

ItemCálculoValor
Média salarialSoma dos salários corrigidos ÷ mesesR$ 3.500,00
Anos além do mínimo30 anos − 20 anos10 anos
Coeficiente60% + (10 × 2%)80%
Valor da aposentadoriaR$ 3.500 × 80%R$ 2.800,00

Agora compare com uma trabalhadora que se aposenta com 35 anos de contribuição e a mesma média de R$ 3.500:

ItemCálculoValor
Anos além do mínimo (15 anos p/ mulher)35 − 1520 anos
Coeficiente60% + (20 × 2%) = 100% (teto)100%
Valor da aposentadoriaR$ 3.500 × 100%R$ 3.500,00

Com mais tempo de contribuição, o coeficiente sobe e o benefício se aproxima (ou empata) com a própria média salarial.

O que muda em cada situação

  • Quanto mais tempo de contribuição além do mínimo, maior o coeficiente — até o teto de 100%, atingido aos 35 anos (mulher) ou 40 anos (homem).
  • Pedágio de 100%: paga 100% da média direto, sem o coeficiente de 60% + 2% — costuma ser a regra com o maior valor para quem se enquadra e consegue esperar.
  • Quem tem histórico de informalidade ou desemprego: a média cai, porque os meses sem contribuição entram como zero na conta desde julho de 1994.
  • Quem só começou a contribuir depois de julho de 1994: a média considera apenas os meses desde o início da vida contributiva, não o período todo.
  • Categorias especiais (professor, rural, pessoa com deficiência, atividade especial): têm coeficientes e tempos mínimos próprios, diferentes da regra geral usada nos exemplos acima.

O que essa conta não considera

  • Correção mês a mês exata pelo INPC — o exemplo usa uma média já corrigida para simplificar; na prática, cada salário antigo tem um fator de correção diferente, aplicado pelo sistema do INSS.
  • Décimo terceiro e outras verbas — o cálculo do benefício usa o salário de contribuição mensal, não inclui 13º ou outras parcelas variáveis diretamente na fórmula da média.
  • Categorias com regra própria — professor, trabalhador rural, pessoa com deficiência e quem exerceu atividade especial (insalubre/perigosa) têm tempos mínimos e coeficientes diferentes dos usados aqui.
  • Pensão alimentícia ou outros descontos judiciais — se houver, são deduzidos do valor já calculado, não alteram a fórmula em si.
A conta oficial usa o seu CNIS real

Este guia explica a lógica da fórmula com valores redondos para facilitar o entendimento. O número exato do seu benefício depende do seu histórico completo de contribuições, salário por salário — e isso só o Meu INSS tem registrado.

Como ver a simulação com os seus números reais

  1. Acesse o Meu INSS (aplicativo ou site) com login gov.br.
  2. Confira o extrato CNIS primeiro, para garantir que todos os seus vínculos e salários estão registrados corretamente — veja como em como contar o tempo de contribuição pelo CNIS.
  3. Use a simulação de aposentadoria, disponível no menu do Meu INSS: ela calcula a média e o coeficiente automaticamente, comparando as regras pelas quais você já tem direito ou está perto de cumprir.
  4. Compare as regras disponíveis — às vezes a regra em que você se enquadra primeiro não é a que paga o maior valor.

O serviço é gratuito. Desconfie de qualquer site ou pessoa que cobre para “calcular” ou “liberar” a simulação — isso não existe.

Perguntas frequentes

Se a sua situação envolve atividade rural, magistério, deficiência ou atividade especial, o cálculo pode ter variações importantes em relação ao exemplo geral deste guia — o caminho mais seguro é sempre conferir a simulação real no Meu INSS. Veja também as regras de idade e tempo de contribuição em aposentadoria por idade em 2026 e, para quem ainda não tem tempo suficiente, o BPC/LOAS, que não exige contribuição prévia.

Perguntas frequentes

A aposentadoria é calculada sobre o último salário?
Não. Desde a Reforma da Previdência de 2019, o cálculo usa a média de todos os salários de contribuição desde julho de 1994, corrigidos pela inflação — não só o último salário nem os maiores valores da carreira. Quem teve um salário mais baixo no início da vida profissional e foi subindo tem uma média puxada para baixo por esses anos iniciais.
Por que minha média pode ser mais baixa do que eu esperava?
Porque meses sem contribuição dentro do período contado (desde julho de 1994) entram na conta como salário zero, reduzindo a média final. Antes da reforma de 2019, o INSS descartava os 20% menores salários da carreira; hoje não descarta mais nenhum. Por isso, quanto mais tempo de carteira assinada ou contribuição contínua, mais a média se aproxima dos seus melhores salários.
Com quantos anos de contribuição eu chego a 100% da média?
Depende do sexo: mulher chega a 100% com 35 anos de contribuição (15 de base + 20 anos × 2% = 40%, somados aos 60% iniciais); homem chega a 100% com 40 anos de contribuição (20 de base + 20 anos × 2%). Quem se aposenta com menos tempo que isso recebe um percentual da média entre 60% e 100%, conforme os anos que exceder o mínimo da regra usada.
O valor pode ficar abaixo de um salário mínimo?
Não. Por determinação constitucional, nenhuma aposentadoria do INSS paga menos que um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026), mesmo que a conta da média × coeficiente resulte em um valor menor. Também não pode ultrapassar o teto do INSS, de R$ 8.475,55 em 2026.
Quem se aposenta pelo pedágio de 100% recebe mais?
Tende a receber mais, sim. Essa é a única regra de transição pós-reforma que paga 100% da média salarial, sem o coeficiente de 60% + 2% ao ano usado nas demais regras. Em compensação, exige trabalhar o dobro do tempo que faltava para a aposentadoria em 13/11/2019, além de uma idade mínima. Veja os detalhes em [aposentadoria por idade: idade e regras em 2026](/inss/aposentadoria-por-idade-regras).
Como sei o valor exato que vou receber?
A conta manual dá uma estimativa, mas só o Meu INSS tem acesso ao seu histórico completo de salários de contribuição corrigidos. A simulação de aposentadoria, disponível no site e no aplicativo Meu INSS, mostra o valor estimado com base no seu CNIS real — é o número mais confiável antes de dar entrada no pedido.

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