Quanto vou receber de aposentadoria? Veja como calcular
“Vou trabalhar mais 15 anos, mas quanto isso vale no fim das contas?” É a pergunta que vem logo depois de descobrir a idade e o tempo de contribuição necessários. A resposta tem uma fórmula fixa — média dos salários vezes um coeficiente — mas os dois números dessa conta escondem detalhes que mudam bastante o resultado final. Veja como calcular, com um exemplo completo.
O que entra na conta do valor da aposentadoria
O valor mensal do benefício vem de dois elementos, multiplicados um pelo outro:
- A média salarial (chamada de “salário de benefício”): a média de todos os seus salários de contribuição desde julho de 1994, corrigidos pela inflação até a data do pedido.
- O coeficiente: um percentual que começa em 60% e sobe 2 pontos para cada ano de contribuição que exceder o tempo mínimo da regra usada para se aposentar.
O resultado dessa multiplicação é limitado por dois pisos: nunca pode ficar abaixo de um salário mínimo (R$ 1.621 em 2026) nem acima do teto do INSS (R$ 8.475,55 em 2026).
Como se calcula a média salarial
Desde a Reforma da Previdência (Emenda Constitucional nº 103/2019), a regra mudou: a média passou a considerar todos os salários de contribuição registrados desde julho de 1994 — não mais só os 80% maiores, como era antes de 2019.
Isso funciona assim:
- O INSS reúne, no seu CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), todos os salários sobre os quais você contribuiu, mês a mês, desde julho de 1994 (ou desde que você começou a contribuir, se foi depois disso).
- Cada salário antigo é corrigido monetariamente pela inflação (INPC), para ficar em valores comparáveis aos de hoje.
- Somam-se todos os valores corrigidos e divide-se pelo número total de meses do período — incluindo os meses em que não houve contribuição, que entram como salário zero.
Esse último ponto é o que mais surpreende quem calcula pela primeira vez: como a regra atual não descarta mais os salários mais baixos (nem os meses vazios), períodos de desemprego, informalidade ou baixa renda dentro da janela contada reduzem a média final — mesmo que hoje você já ganhe bem mais. Quanto mais contínuo o histórico de contribuição, mais a média se aproxima dos seus salários mais recentes.
Como se calcula o coeficiente (60% + 2% ao ano)
O coeficiente aplicado sobre a média depende de quantos anos de contribuição você tem além do mínimo exigido pela regra pela qual está se aposentando (regra permanente, regra de pontos ou idade mínima progressiva — veja cada uma em aposentadoria por idade: idade e regras em 2026):
- Base: 60% da média, para quem cumpre exatamente o tempo mínimo (20 anos de contribuição para homem, 15 para mulher).
- Acréscimo: +2 pontos percentuais para cada ano de contribuição que passar desse mínimo.
Fazendo a conta ao contrário: o coeficiente chega a 100% com 35 anos de contribuição para mulher (15 + 20 anos × 2% = 40%, somados aos 60% iniciais) e 40 anos para homem (20 + 20 anos × 2%). Contribuir além disso não aumenta mais o coeficiente — ele já está no teto de 100%.
A única exceção é o pedágio de 100% (regra de transição para quem já estava perto de se aposentar em 13/11/2019): nela, o benefício já sai direto em 100% da média, sem passar pelo cálculo de 60% + 2% ao ano.
Exemplo completo
Um trabalhador se aposenta pela regra permanente aos 65 anos, com 30 anos de contribuição — 10 anos além do mínimo de 20 exigido para homens. A média dos salários de contribuição dele, já corrigida, ficou em R$ 3.500.
| Item | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Média salarial | Soma dos salários corrigidos ÷ meses | R$ 3.500,00 |
| Anos além do mínimo | 30 anos − 20 anos | 10 anos |
| Coeficiente | 60% + (10 × 2%) | 80% |
| Valor da aposentadoria | R$ 3.500 × 80% | R$ 2.800,00 |
Agora compare com uma trabalhadora que se aposenta com 35 anos de contribuição e a mesma média de R$ 3.500:
| Item | Cálculo | Valor |
|---|---|---|
| Anos além do mínimo (15 anos p/ mulher) | 35 − 15 | 20 anos |
| Coeficiente | 60% + (20 × 2%) = 100% (teto) | 100% |
| Valor da aposentadoria | R$ 3.500 × 100% | R$ 3.500,00 |
Com mais tempo de contribuição, o coeficiente sobe e o benefício se aproxima (ou empata) com a própria média salarial.
O que muda em cada situação
- Quanto mais tempo de contribuição além do mínimo, maior o coeficiente — até o teto de 100%, atingido aos 35 anos (mulher) ou 40 anos (homem).
- Pedágio de 100%: paga 100% da média direto, sem o coeficiente de 60% + 2% — costuma ser a regra com o maior valor para quem se enquadra e consegue esperar.
- Quem tem histórico de informalidade ou desemprego: a média cai, porque os meses sem contribuição entram como zero na conta desde julho de 1994.
- Quem só começou a contribuir depois de julho de 1994: a média considera apenas os meses desde o início da vida contributiva, não o período todo.
- Categorias especiais (professor, rural, pessoa com deficiência, atividade especial): têm coeficientes e tempos mínimos próprios, diferentes da regra geral usada nos exemplos acima.
O que essa conta não considera
- Correção mês a mês exata pelo INPC — o exemplo usa uma média já corrigida para simplificar; na prática, cada salário antigo tem um fator de correção diferente, aplicado pelo sistema do INSS.
- Décimo terceiro e outras verbas — o cálculo do benefício usa o salário de contribuição mensal, não inclui 13º ou outras parcelas variáveis diretamente na fórmula da média.
- Categorias com regra própria — professor, trabalhador rural, pessoa com deficiência e quem exerceu atividade especial (insalubre/perigosa) têm tempos mínimos e coeficientes diferentes dos usados aqui.
- Pensão alimentícia ou outros descontos judiciais — se houver, são deduzidos do valor já calculado, não alteram a fórmula em si.
Este guia explica a lógica da fórmula com valores redondos para facilitar o entendimento. O número exato do seu benefício depende do seu histórico completo de contribuições, salário por salário — e isso só o Meu INSS tem registrado.
Como ver a simulação com os seus números reais
- Acesse o Meu INSS (aplicativo ou site) com login gov.br.
- Confira o extrato CNIS primeiro, para garantir que todos os seus vínculos e salários estão registrados corretamente — veja como em como contar o tempo de contribuição pelo CNIS.
- Use a simulação de aposentadoria, disponível no menu do Meu INSS: ela calcula a média e o coeficiente automaticamente, comparando as regras pelas quais você já tem direito ou está perto de cumprir.
- Compare as regras disponíveis — às vezes a regra em que você se enquadra primeiro não é a que paga o maior valor.
O serviço é gratuito. Desconfie de qualquer site ou pessoa que cobre para “calcular” ou “liberar” a simulação — isso não existe.
Perguntas frequentes
Se a sua situação envolve atividade rural, magistério, deficiência ou atividade especial, o cálculo pode ter variações importantes em relação ao exemplo geral deste guia — o caminho mais seguro é sempre conferir a simulação real no Meu INSS. Veja também as regras de idade e tempo de contribuição em aposentadoria por idade em 2026 e, para quem ainda não tem tempo suficiente, o BPC/LOAS, que não exige contribuição prévia.