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Pé-de-Meia: como funciona a poupança do estudante

Atualizado em 9 de setembro de 2026 6 min de leitura Revisado
Arte do Benefício Claro sobre o programa Pé-de-Meia, a poupança do estudante

Se a sua casa tem um adolescente no ensino médio de escola pública e a renda é baixa, existe um dinheiro do governo federal guardado especificamente para ele terminar os estudos: o Pé-de-Meia. Não é um valor único nem cai direto na conta como o Bolsa Família — é uma poupança que vai enchendo aos poucos, conforme o estudante cumpre matrícula, frequência e aprovação, ano após ano. Veja como funciona, quanto dá para receber e quando o dinheiro pode ser sacado.

O que é o Pé-de-Meia?

O Pé-de-Meia é um programa do Ministério da Educação (MEC), criado para incentivar a permanência e a conclusão do ensino médio por estudantes de famílias de baixa renda. Funciona como uma poupança: a cada etapa cumprida — matrícula, frequência mensal, aprovação no ano letivo e participação no Enem — o governo deposita um valor numa conta aberta em nome do próprio estudante, e não dos pais.

A ideia por trás do programa é simples: parte do abandono escolar no ensino médio acontece porque o adolescente precisa trabalhar para ajudar em casa. O Pé-de-Meia tenta segurar essa saída oferecendo uma renda ligada a continuar estudando.

Quem tem direito ao Pé-de-Meia?

Para participar, é preciso cumprir todos estes requisitos ao mesmo tempo:

  • Estar matriculado no ensino médio de uma escola pública — estadual, municipal ou federal (escola particular não entra, nem com bolsa de estudo).
  • Ter entre 14 e 24 anos no ensino médio regular, ou entre 19 e 24 anos na modalidade EJA (Educação de Jovens e Adultos).
  • A família estar inscrita no Cadastro Único (CadÚnico), com renda por pessoa de até meio salário mínimo — o equivalente a R$ 810,50 em 2026, já que o salário mínimo do ano é R$ 1.621.
  • Ter o CPF regular.
  • Manter frequência mínima de 80% nas aulas.

A inscrição não é feita pelo estudante em um site à parte: a escola informa a matrícula e a frequência ao MEC, que cruza esses dados com o CadÚnico para confirmar quem tem direito. Quem já está regularmente cadastrado e matriculado normalmente entra de forma automática, sem precisar preencher formulário.

Um ponto que gera dúvida: o critério de renda olha a família no CadÚnico, não o estudante isoladamente. Um adolescente que já tem carteira assinada ou bico remunerado não perde o direito só por causa disso — o que importa é a renda por pessoa registrada no cadastro da família.

Quanto dá para receber?

O Pé-de-Meia paga quatro tipos de incentivo, com valores fixos definidos por portaria do MEC e do Ministério da Fazenda:

IncentivoValorQuando é pago
MatrículaR$ 200Parcela única, no início do ano letivo
FrequênciaR$ 200/mêsAté 9 parcelas por ano, uma por mês com frequência confirmada
ConclusãoR$ 1.000Uma vez por ano, ao ser aprovado na série
EnemR$ 200Parcela única, para quem participa do Enem no 3º ano

Somando matrícula (R$ 200), frequência (até R$ 1.800 no ano) e conclusão (R$ 1.000) ao longo dos três anos do ensino médio, mais o incentivo do Enem, o programa pode chegar a até R$ 9.200 por estudante — o maior valor entre os programas de transferência de renda ligados à educação já feitos no país.

Exemplo prático: um estudante do 1º ano com frequência regular durante todo o ano letivo recebe R$ 200 na matrícula, mais 9 parcelas de R$ 200 de frequência (R$ 1.800) e, se aprovado, mais R$ 1.000 de conclusão — um total de R$ 3.000 só no primeiro ano. Repetindo o padrão nos três anos e somando o Enem no último, o valor acumulado passa dos R$ 9 mil.

Quando dá para sacar o dinheiro?

Aqui está a principal diferença entre os incentivos — e o ponto que mais gera confusão:

  • Matrícula e frequência ficam disponíveis para saque assim que caem na conta, sem retenção.
  • Conclusão e Enem ficam bloqueados até o MEC confirmar que o estudante terminou o ensino médio. Não é possível sacar essa parte parcela por parcela — o valor acumulado dos três anos só libera de uma vez, na formatura.

Enquanto está retido, o saldo da conta pode ficar numa poupança comum ou, desde 2026, ser aplicado pelo próprio estudante no Tesouro Selic, sem custo adicional. O Tesouro Selic costuma render mais do que a poupança, mas tem Imposto de Renda sobre o rendimento — a poupança é isenta. Depois que o MEC confirma a conclusão, o dinheiro fica livre para qualquer uso.

O que acontece se faltar ou for reprovado?

O programa tem regras específicas para os dois casos, e elas não se confundem:

  • Frequência abaixo de 80% em um mês: a parcela de frequência daquele mês fica retida, não é paga automaticamente. Se a frequência média acumulada no ano voltar a ficar igual ou acima de 80%, a parcela retida é liberada depois. Ou seja: um mês ruim isolado pode ser recuperado.
  • Reprovação no ano letivo: o estudante reprovado não recebe o Incentivo-Conclusão (R$ 1.000) daquele ano específico, mas mantém as parcelas de matrícula e de frequência já recebidas — elas não são devolvidas.

O programa não pune o estudante retirando dinheiro já pago: o que existe é a suspensão de parcelas futuras ligadas ao requisito que não foi cumprido.

Como abrir e movimentar a conta

O estudante não precisa ir a uma agência para abrir conta: assim que confirmado no Pé-de-Meia, a Caixa Econômica Federal abre automaticamente uma poupança social digital em nome dele, sem custo de abertura, manutenção ou tarifa. O acesso é pelo aplicativo CAIXA TEM.

Quem é menor de idade precisa da autorização de um responsável legal para movimentar a conta pelo aplicativo — o próprio app guia esse passo na primeira vez que o estudante (ou o responsável) faz login.

O que o Pé-de-Meia não cobre

Vale deixar claro o que o programa não faz, para não confundir com outros benefícios:

  • Não substitui o Bolsa Família nem outros benefícios da família — é um incentivo à parte, pago diretamente ao estudante.
  • Não cobre estudantes de escola particular, mesmo com bolsa integral.
  • Não é liberado para quem estuda em ensino médio técnico integrado fora das regras do programa ou em modalidades não contempladas pela portaria — vale conferir o enquadramento exato com a escola em caso de dúvida.
  • Não garante valor igual para todos: quem entra no meio do ano letivo, muda de escola ou tem frequência irregular recebe proporcionalmente menos.

Próximos passos se você acha que tem direito

Se a família já está no CadÚnico e o estudante está matriculado numa escola pública, o primeiro passo é conferir com a secretaria da escola se os dados de matrícula e frequência estão sendo enviados corretamente ao MEC — é essa informação que confirma o direito automaticamente. Se a família ainda não tem CadÚnico ativo, o cadastro precisa ser feito primeiro no CRAS do município antes de qualquer coisa; veja como em como se inscrever no Cadastro Único.

Em caso de erro no cadastro, dados divergentes entre escola e CadÚnico, ou parcela que não caiu mesmo com frequência regular, o canal oficial é a própria escola (que reporta a situação ao MEC) ou os canais de atendimento do programa pelo portal gov.br e pelo aplicativo CAIXA TEM.

Se você já recebe algum valor via Caixa e quer entender melhor como funciona uma conta digital sem tarifa, veja também como abrir conta digital gratuita e, para quem já trabalha com carteira assinada, o abono salarial PIS/Pasep — um benefício diferente, mas que também costuma passar despercebido.

Perguntas frequentes

Quem já é maior de idade e trabalha pode receber o Pé-de-Meia?
Pode, desde que esteja matriculado e frequentando o ensino médio público — regular até os 24 anos, ou EJA (Educação de Jovens e Adultos) entre 19 e 24 anos — e a família cumpra o critério de renda no CadÚnico. Ter carteira assinada ou renda própria não tira o direito automaticamente: o que conta é a renda por pessoa da família cadastrada no CadÚnico, não a renda individual do estudante.
Se eu trocar de escola ou de cidade, perco o benefício?
Não, desde que continue matriculado numa escola pública e mantenha os dados atualizados no CadÚnico e no sistema da escola. A transferência em si não cancela o Pé-de-Meia — o risco é ficar um período sem frequência registrada, o que trava a parcela daquele mês até a situação ser regularizada.
Posso sacar o Incentivo-Conclusão antes de terminar o ensino médio?
Não. Diferente das parcelas de matrícula e de frequência, que caem para saque imediato, o Incentivo-Conclusão (R$ 1.000 por série aprovada) fica retido na conta até o MEC confirmar que você concluiu o ensino médio. Só depois dessa confirmação o valor acumulado dos três anos é liberado para movimentação livre.
O dinheiro parado na poupança do Pé-de-Meia rende alguma coisa?
Sim, rende como qualquer poupança enquanto está guardado. Desde 2026 o estudante também pode escolher aplicar o saldo retido no Tesouro Selic em vez de deixar na poupança — o rendimento tende a ser maior, mas há cobrança de Imposto de Renda sobre o ganho, o que não acontece na poupança.
Quem estuda em escola particular com bolsa integral tem direito?
Não. O Pé-de-Meia é exclusivo para estudantes matriculados na rede pública de ensino médio (estadual, municipal ou federal). Matrícula em escola particular, mesmo com bolsa de estudo integral, não dá direito ao programa.
Preciso pagar alguma taxa para participar ou sacar o Pé-de-Meia?
Não. A inscrição é automática para quem já está no CadÚnico e cumpre os requisitos, feita pela própria escola e pelo MEC — não existe cadastro pago nem taxa de liberação. Qualquer cobrança, link ou ligação pedindo pagamento para 'liberar' o Pé-de-Meia é golpe.

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