Quanto o FGTS rende por ano? TR + 3% e o lucro extra
O saldo do seu FGTS rende 3% ao ano mais a TR (Taxa Referencial), aplicados automaticamente, mês a mês, sobre o dinheiro que está nas suas contas vinculadas — ativas e inativas. É pouco, na maior parte do tempo menos do que a poupança rende. Mas há um complemento: uma vez por ano a Caixa pode distribuir parte do lucro do fundo, o que melhora o resultado final. Este guia explica a conta, mostra um exemplo com números e diz quando vale a pena contar com esse rendimento — e quando não vale.
Qual é a regra do rendimento do FGTS
A regra vem da Lei nº 8.036/1990, a mesma lei que criou o fundo. O Art. 13 determina que o saldo das contas vinculadas é atualizado com os mesmos parâmetros da poupança — a TR — mais capitalização de juros de 3% ao ano. Na prática, isso é dividido em duas partes:
- TR (Taxa Referencial): um índice calculado e publicado pelo Banco Central, que varia mês a mês. Entre 2017 e a maior parte de 2021 ficou praticamente zerada; com a Selic mais alta nos últimos anos, voltou a ficar positiva, mas continua um índice pequeno perto de outras opções de aplicação.
- 3% ao ano fixos: essa parte não muda — está na lei. O valor é aplicado de forma proporcional a cada mês (não de uma vez só em dezembro).
Some as duas partes e você tem o rendimento básico anual do fundo: TR do período + 3%. Ele é creditado automaticamente, todo mês, e aparece no extrato do app FGTS como “atualização monetária” — separado dos depósitos que o seu empregador faz.
Como a TR varia, o rendimento exato do seu FGTS também varia — não dá para prometer um número fixo o ano inteiro. Para ver a TR atual, consulte o site do Banco Central ou o próprio extrato do app FGTS, que já mostra o valor creditado em cada mês.
Um exemplo para entender a conta
Pedro tem R$ 6.000 de saldo no FGTS e ficou o ano inteiro sem depósito novo (está desempregado, por exemplo). Considerando só a parte fixa da lei:
- 3% ao ano sobre R$ 6.000 = R$ 180 no ano, aplicados de forma proporcional mês a mês (cerca de R$ 15 por mês, antes de qualquer TR).
- + a TR do período, que se soma a esse valor. Em meses de TR mais alta, o total sobe um pouco; em meses de TR zerada (como aconteceu entre 2017 e 2021), o rendimento do mês vem só dos 3% ao ano.
Se, além disso, Pedro tinha saldo em 31 de dezembro do ano anterior e o Conselho Curador aprovou distribuir lucro, ele recebe um crédito extra em agosto — sem precisar pedir nada. Em 2026, por exemplo, esse crédito equivaleu a cerca de 1,87% do saldo que cada trabalhador tinha em 31/12/2025 (veja os detalhes em lucro do FGTS 2026: quem recebe e como consultar). Somando a atualização mensal com esse crédito, o rendimento total do ano fica mais próximo — e em alguns anos até acima — do que a poupança paga.
Por que o FGTS costuma render menos que a poupança
A poupança, hoje, paga 0,5% ao mês mais a TR sempre que a Selic está acima de 8,5% ao ano (o que soma cerca de 6,17% ao ano nesse cenário) — e a Selic segue nesse patamar em 2026. Já o FGTS paga só 3% ao ano fixos + TR, sem o “0,5% ao mês” da poupança. Na conta simples, isso deixa o FGTS abaixo da poupança na maior parte do tempo, mesmo somando a distribuição de lucro — que só existe quando o fundo tem resultado positivo suficiente e o Conselho Curador aprova.
Isso não é um defeito de cálculo nem uma armadilha: o FGTS não foi criado para ser uma aplicação financeira, e sim uma reserva de proteção ao trabalhador, com o dinheiro usado pelo fundo para financiar habitação, saneamento e infraestrutura — o que também explica por que a remuneração é mais baixa do que a de um investimento de mercado.
O rendimento é isento de Imposto de Renda
Sim. O Art. 28 da Lei 8.036/1990 isenta de tributos federais os valores movimentados pelo FGTS, o que inclui o rendimento creditado mensalmente e os valores sacados. Ainda assim, quem entrega a declaração do Imposto de Renda deve informar o saldo do FGTS (na ficha de Bens e Direitos) e os valores sacados no ano (como rendimento isento), para manter a declaração compatível com a variação do seu patrimônio.
O que esse rendimento não muda
- Não altera quando você pode sacar. Render mais ou menos não antecipa nem atrasa o saque-rescisão ou o saque-aniversário — as regras de quando sacar são outras. Veja em quais situações dá para sacar o FGTS.
- Não é a mesma coisa que o “lucro do FGTS”. A atualização mensal (TR + 3%) é garantida por lei; a distribuição de lucro é um crédito extra, aprovado ano a ano, que pode variar ou até não acontecer.
- Não compensa deixar dinheiro parado por render. Se você tem direito a sacar e uma dívida cara para pagar (cartão, cheque especial), o custo dessa dívida costuma ser muito maior do que o rendimento do FGTS — nesses casos, sacar costuma valer mais a pena do que esperar o saldo render.
Como conferir o rendimento da sua conta
Não é preciso fazer nenhum cálculo manual: o extrato do app FGTS já mostra, mês a mês, o valor creditado como “atualização monetária”, separado dos depósitos do empregador. Veja o passo a passo completo em como consultar o saldo do FGTS pelo app e pelo site da Caixa. Se você aderiu ao saque-aniversário, use o simulador do saque-aniversário do FGTS para ver quanto poderia sacar agora, já considerando o saldo atualizado.