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Quanto o FGTS rende por ano? TR + 3% e o lucro extra

Atualizado em 31 de agosto de 2026 5 min de leitura Revisado
Arte do Benefício Claro sobre o rendimento anual do FGTS

O saldo do seu FGTS rende 3% ao ano mais a TR (Taxa Referencial), aplicados automaticamente, mês a mês, sobre o dinheiro que está nas suas contas vinculadas — ativas e inativas. É pouco, na maior parte do tempo menos do que a poupança rende. Mas há um complemento: uma vez por ano a Caixa pode distribuir parte do lucro do fundo, o que melhora o resultado final. Este guia explica a conta, mostra um exemplo com números e diz quando vale a pena contar com esse rendimento — e quando não vale.

Qual é a regra do rendimento do FGTS

A regra vem da Lei nº 8.036/1990, a mesma lei que criou o fundo. O Art. 13 determina que o saldo das contas vinculadas é atualizado com os mesmos parâmetros da poupança — a TR — mais capitalização de juros de 3% ao ano. Na prática, isso é dividido em duas partes:

  • TR (Taxa Referencial): um índice calculado e publicado pelo Banco Central, que varia mês a mês. Entre 2017 e a maior parte de 2021 ficou praticamente zerada; com a Selic mais alta nos últimos anos, voltou a ficar positiva, mas continua um índice pequeno perto de outras opções de aplicação.
  • 3% ao ano fixos: essa parte não muda — está na lei. O valor é aplicado de forma proporcional a cada mês (não de uma vez só em dezembro).

Some as duas partes e você tem o rendimento básico anual do fundo: TR do período + 3%. Ele é creditado automaticamente, todo mês, e aparece no extrato do app FGTS como “atualização monetária” — separado dos depósitos que o seu empregador faz.

A TR muda de mês para mês

Como a TR varia, o rendimento exato do seu FGTS também varia — não dá para prometer um número fixo o ano inteiro. Para ver a TR atual, consulte o site do Banco Central ou o próprio extrato do app FGTS, que já mostra o valor creditado em cada mês.

Um exemplo para entender a conta

Pedro tem R$ 6.000 de saldo no FGTS e ficou o ano inteiro sem depósito novo (está desempregado, por exemplo). Considerando só a parte fixa da lei:

  • 3% ao ano sobre R$ 6.000 = R$ 180 no ano, aplicados de forma proporcional mês a mês (cerca de R$ 15 por mês, antes de qualquer TR).
  • + a TR do período, que se soma a esse valor. Em meses de TR mais alta, o total sobe um pouco; em meses de TR zerada (como aconteceu entre 2017 e 2021), o rendimento do mês vem só dos 3% ao ano.

Se, além disso, Pedro tinha saldo em 31 de dezembro do ano anterior e o Conselho Curador aprovou distribuir lucro, ele recebe um crédito extra em agosto — sem precisar pedir nada. Em 2026, por exemplo, esse crédito equivaleu a cerca de 1,87% do saldo que cada trabalhador tinha em 31/12/2025 (veja os detalhes em lucro do FGTS 2026: quem recebe e como consultar). Somando a atualização mensal com esse crédito, o rendimento total do ano fica mais próximo — e em alguns anos até acima — do que a poupança paga.

Por que o FGTS costuma render menos que a poupança

A poupança, hoje, paga 0,5% ao mês mais a TR sempre que a Selic está acima de 8,5% ao ano (o que soma cerca de 6,17% ao ano nesse cenário) — e a Selic segue nesse patamar em 2026. Já o FGTS paga só 3% ao ano fixos + TR, sem o “0,5% ao mês” da poupança. Na conta simples, isso deixa o FGTS abaixo da poupança na maior parte do tempo, mesmo somando a distribuição de lucro — que só existe quando o fundo tem resultado positivo suficiente e o Conselho Curador aprova.

Isso não é um defeito de cálculo nem uma armadilha: o FGTS não foi criado para ser uma aplicação financeira, e sim uma reserva de proteção ao trabalhador, com o dinheiro usado pelo fundo para financiar habitação, saneamento e infraestrutura — o que também explica por que a remuneração é mais baixa do que a de um investimento de mercado.

O rendimento é isento de Imposto de Renda

Sim. O Art. 28 da Lei 8.036/1990 isenta de tributos federais os valores movimentados pelo FGTS, o que inclui o rendimento creditado mensalmente e os valores sacados. Ainda assim, quem entrega a declaração do Imposto de Renda deve informar o saldo do FGTS (na ficha de Bens e Direitos) e os valores sacados no ano (como rendimento isento), para manter a declaração compatível com a variação do seu patrimônio.

O que esse rendimento não muda

  • Não altera quando você pode sacar. Render mais ou menos não antecipa nem atrasa o saque-rescisão ou o saque-aniversário — as regras de quando sacar são outras. Veja em quais situações dá para sacar o FGTS.
  • Não é a mesma coisa que o “lucro do FGTS”. A atualização mensal (TR + 3%) é garantida por lei; a distribuição de lucro é um crédito extra, aprovado ano a ano, que pode variar ou até não acontecer.
  • Não compensa deixar dinheiro parado por render. Se você tem direito a sacar e uma dívida cara para pagar (cartão, cheque especial), o custo dessa dívida costuma ser muito maior do que o rendimento do FGTS — nesses casos, sacar costuma valer mais a pena do que esperar o saldo render.

Como conferir o rendimento da sua conta

Não é preciso fazer nenhum cálculo manual: o extrato do app FGTS já mostra, mês a mês, o valor creditado como “atualização monetária”, separado dos depósitos do empregador. Veja o passo a passo completo em como consultar o saldo do FGTS pelo app e pelo site da Caixa. Se você aderiu ao saque-aniversário, use o simulador do saque-aniversário do FGTS para ver quanto poderia sacar agora, já considerando o saldo atualizado.

Perguntas frequentes

O rendimento do FGTS entra sozinho, ou preciso pedir?
Entra sozinho. A Caixa aplica a atualização monetária (TR + 3% ao ano) automaticamente, todo mês, sobre o saldo de todas as suas contas vinculadas, ativas e inativas. Você não precisa fazer nada nem pedir nada — só conferir no extrato do app FGTS.
Preciso declarar o rendimento do FGTS no Imposto de Renda?
O rendimento em si é isento de Imposto de Renda (Lei 8.036/1990, Art. 28), mas quem declara IR deve informar o saldo do FGTS em 31 de dezembro na ficha de Bens e Direitos, e valores sacados no ano na ficha de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis. Na dúvida, confirme com um contador ou no Meu Imposto de Renda da Receita Federal.
O saque-aniversário rende diferente do saque-rescisão?
Não. A regra de rendimento (TR + 3% ao ano) é a mesma para toda conta vinculada, independentemente de você ter aderido ao saque-aniversário ou não. O que muda entre as modalidades é quando e quanto dá para sacar — não quanto o saldo rende enquanto fica parado.
Vale a pena deixar o dinheiro parado no FGTS para ele render?
Não é essa a lógica do fundo. O FGTS existe como reserva para situações específicas (demissão, casa própria, doenças graves), não como aplicação financeira: o rendimento costuma ficar abaixo da poupança na maior parte do tempo, porque a TR fica muito baixa. Sacar quando você tem direito e tem um uso melhor para o dinheiro — quitar uma dívida cara, por exemplo — normalmente compensa mais do que deixar parado esperando render.
O que é a distribuição de lucro e ela é garantida todo ano?
É um crédito extra, além da TR + 3%, que a Caixa paga uma vez por ano a quem tinha saldo em 31 de dezembro, com parte do lucro que o fundo teve nos investimentos. Não é garantida por lei em valor fixo: o Conselho Curador do FGTS aprova o percentual a cada ano, conforme o resultado do fundo. Veja o crédito de 2026 em como consultar o lucro do FGTS.

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