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Tabela do Imposto de Renda 2026: faixas, isenção e redutor

Camila Duarte · Editora de conteúdo
Atualizado em 15 de agosto de 2026 5 min de leitura Revisado
Arte do Benefício Claro sobre a tabela do Imposto de Renda em 2026

A tabela do Imposto de Renda mudou de verdade em 2026: pela primeira vez em anos, quem ganha até R$ 5.000 por mês simplesmente não paga IR — e quem ganha um pouco mais também sente o alívio, por causa de um redutor novo. Veja a tabela completa, como ela funciona por faixa e um exemplo de conta do início ao fim.

Quem está isento do Imposto de Renda em 2026

Desde janeiro de 2026, pela Lei nº 15.270/2025, todo trabalhador com rendimento tributável mensal de até R$ 5.000,00 — salário de carteira assinada, aposentadoria do INSS, pró-labore, entre outros — fica isento do Imposto de Renda. Não é uma dedução nem um desconto: o imposto devido é zero, direto na folha, sem precisar declarar nada especial durante o ano.

Isso vale mesmo que a tabela progressiva “normal” (a de sempre, por faixas) resultasse em algum valor de imposto para esse salário. A isenção sobrepõe o cálculo da tabela quando o bruto está dentro do limite.

Como funciona o redutor para quem ganha entre R$ 5.000 e R$ 7.350

Quem ganha um pouco acima de R$ 5.000 não perde a isenção de uma vez — a lei criou uma faixa de transição para evitar que um aumento pequeno de salário jogue a pessoa de “zero imposto” para o imposto cheio de uma hora para outra.

Para quem tem salário bruto entre R$ 5.000,01 e R$ 7.350,00, o cálculo tem duas etapas:

  1. Calcula-se o imposto normalmente, pela tabela progressiva (explicada abaixo).
  2. Desse valor, subtrai-se um redutor, que é maior para quem ganha mais perto de R$ 5.000 e menor para quem ganha mais perto de R$ 7.350:

Redutor = R$ 978,62 − (0,133145 × salário bruto)

Se o redutor for maior que o imposto calculado pela tabela, o imposto final fica em zero — nunca fica negativo. Acima de R$ 7.350 de salário bruto, o redutor já chega a zero e some da conta: vale só a tabela progressiva cheia.

Tabela progressiva do Imposto de Renda 2026

Esta é a tabela mensal que vale para todo mundo — usada sozinha para quem ganha acima de R$ 7.350, e como primeira etapa do cálculo para quem está na faixa do redutor:

Base de cálculo atéAlíquotaParcela a deduzir
R$ 2.428,80IsentoR$ 0,00
R$ 2.826,657,5%R$ 182,16
R$ 3.751,0515%R$ 394,16
R$ 4.664,6822,5%R$ 675,49
Acima de R$ 4.664,6827,5%R$ 908,73

Base de cálculo = salário bruto − INSS do mês − dedução por dependente. Quem tem dependentes desconta R$ 189,59 por pessoa (R$ 2.275,08 ao ano) antes de aplicar a tabela.

Fórmula: Imposto (pela tabela) = (base de cálculo × alíquota da faixa) − parcela a deduzir.

Exemplo completo: salário de R$ 6.000 com 1 dependente

Como R$ 6.000 está entre R$ 5.000 e R$ 7.350, esse caso passa pelas duas etapas — tabela e depois redutor.

1. INSS do mês. R$ 6.000 cai na faixa de 14% da tabela do INSS 2026: 6.000 × 14% − R$ 198,49 = R$ 641,51. (Veja a tabela completa do INSS em tabela do INSS 2026.)

2. Base de cálculo do IR. R$ 6.000 − R$ 641,51 (INSS) − R$ 189,59 (1 dependente) = R$ 5.168,90.

3. Imposto pela tabela. R$ 5.168,90 está acima de R$ 4.664,68, então entra na faixa de 27,5%: 5.168,90 × 27,5% − R$ 908,73 = R$ 1.421,45 − R$ 908,73 = R$ 512,72.

4. Redutor da Lei 15.270/2025. R$ 978,62 − (0,133145 × 6.000) = R$ 978,62 − R$ 798,87 = R$ 179,75.

5. Imposto final. R$ 512,72 − R$ 179,75 = R$ 332,97.

Sem o redutor, essa pessoa pagaria R$ 512,72 de IR. Com a regra de 2026, paga R$ 332,97 — quase R$ 180 a menos por mês, só por causa da faixa de transição.

E acima de R$ 7.350? Um exemplo sem redutor

Um salário bruto de R$ 8.000, sem dependentes, já passa do teto do redutor. O INSS fica em 8.000 × 14% − R$ 198,49 = R$ 921,51. A base do IR é 8.000 − 921,51 = R$ 7.078,49, que cai na faixa de 27,5%: 7.078,49 × 27,5% − R$ 908,73 = R$ 1.037,85 de imposto — sem nenhum desconto extra, porque o bruto passou de R$ 7.350.

O que essa tabela não considera

Os valores acima seguem a regra geral mensal para salário de trabalhador CLT e aposentadoria do INSS. Eles não cobrem: rendimentos com tributação própria, como ganho de capital e aluguéis recebidos de pessoa física; a declaração anual de ajuste, que soma todas as rendas do ano e pode gerar imposto a pagar ou restituir de forma diferente da retenção mensal; dependentes com regras específicas (universitário até 24 anos, pessoa com deficiência); e outras deduções legais, como pensão alimentícia judicial e previdência privada (PGBL), que reduzem ainda mais a base além do que está calculado aqui. Trate os números como uma estimativa fiel à regra mensal — não como um documento fiscal.

Onde conferir o seu Imposto de Renda exato

Para ver o IR calculado junto com o INSS e o salário líquido final, com a memória de cálculo aberta linha por linha, use a calculadora de salário líquido. Ela já usa exatamente esta tabela e o redutor da Lei 15.270/2025. Para entender a fórmula completa e a base legal de cada linha, veja a metodologia das calculadoras, e para o passo a passo do líquido do zero, o guia como calcular o salário líquido em 2026.

Perguntas frequentes

Quem ganha R$ 5.000 por mês está mesmo isento de Imposto de Renda em 2026?
Sim. Desde janeiro de 2026, pela Lei 15.270/2025, quem tem rendimento tributável mensal de até R$ 5.000 (salário bruto, para quem só recebe salário) não paga Imposto de Renda, mesmo que a tabela progressiva normal resultasse em algum valor. A isenção é automática, não precisa pedir nada — a fonte pagadora (empresa) já aplica na folha.
Como funciona o redutor entre R$ 5.000 e R$ 7.350?
Primeiro calcula-se o imposto pela tabela progressiva de sempre (alíquota da faixa menos parcela a deduzir). Depois, subtrai-se um redutor que diminui conforme o salário sobe: 978,62 menos 0,133145 vezes o salário bruto. Quanto mais perto de R$ 5.000, maior o redutor (e menor o imposto); quanto mais perto de R$ 7.350, o redutor encolhe até chegar a zero.
Como funciona a dedução por dependente?
Cada dependente legal (filho, cônjuge sem renda própria, entre outros previstos pela Receita) reduz a base de cálculo do IR em R$ 189,59 por mês (R$ 2.275,08 por ano). Isso é somado ao INSS na hora de descontar do salário bruto para achar a base sobre a qual a tabela incide — e pode inclusive ajudar a base a cair para uma faixa de alíquota menor.
O 13º salário e as férias seguem essa mesma tabela?
O 13º salário tem tributação exclusiva, calculada separadamente do salário do mês, mas usa a mesma faixa de isenção e o mesmo redutor da Lei 15.270/2025 aplicados sobre o valor do 13º. Já as férias gozadas (com o terço constitucional) ficam isentas de Imposto de Renda desde a mudança de 2025/2026 — confira sempre o holerite, porque cada verba é calculada à parte.
Quem tem mais de uma fonte de renda soma tudo para saber se está isento?
Na retenção mensal feita por cada empregador, cada fonte pagadora aplica a isenção olhando só o que ela mesma paga. Mas, na declaração anual de ajuste, todos os rendimentos tributáveis do ano são somados — por isso quem tem duas rendas que separadamente ficam abaixo de R$ 5.000, mas somadas passam do limite anual, pode ter imposto a pagar (ou a menos a restituir) na declaração.

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