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Tabela do INSS 2026: faixas, alíquotas e desconto máximo

Camila Duarte · Editora de conteúdo
Atualizado em 14 de agosto de 2026 5 min de leitura Revisado
Arte do Benefício Claro sobre a tabela do INSS em 2026

Quem vê o INSS descontado no holerite raramente sabe explicar por que aquele valor específico — e não um percentual redondo do salário — apareceu na conta. A resposta está na tabela oficial de 2026, que muda conforme a categoria do contribuinte (empregado, autônomo, MEI ou facultativo) e é sempre progressiva, nunca uma alíquota única. Veja a tabela completa, a fórmula e um exemplo pronto.

O que é a tabela do INSS e por que ela é progressiva

O INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) é a contribuição previdenciária que garante direito a aposentadoria, auxílio-doença, salário-maternidade e outros benefícios. Para quem trabalha com carteira assinada, o desconto não é um percentual fixo sobre todo o salário: o valor é dividido em faixas, e cada faixa paga a sua própria alíquota, crescente. É o mesmo princípio do Imposto de Renda — só quem ganha mais paga a alíquota mais alta, e só sobre a parte que excede cada limite.

Para não obrigar ninguém a somar faixa por faixa, a Receita e a Previdência usam o método da parcela a deduzir: uma fórmula única que chega ao mesmo resultado da soma progressiva.

Tabela do INSS 2026 para empregado CLT e doméstico

Esta é a tabela vigente desde janeiro de 2026, fixada pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026, com reajuste de 3,9% sobre os valores de 2025:

Salário de contribuição atéAlíquotaParcela a deduzir
R$ 1.621,007,5%R$ 0,00
R$ 2.902,849%R$ 24,32
R$ 4.354,2712%R$ 111,40
R$ 8.475,55 (teto)14%R$ 198,49

Fórmula: INSS = (salário bruto × alíquota da faixa) − parcela a deduzir.

Essa tabela vale tanto para o empregado CLT quanto para a empregada doméstica — desde a Lei Complementar nº 150/2015, as duas categorias seguem exatamente as mesmas faixas e alíquotas.

Exemplo: salário de R$ 4.000

Um salário de R$ 4.000 cai na faixa de 12% (entre R$ 2.902,84 e R$ 4.354,27):

INSS = R$ 4.000 × 12% − R$ 111,40 = R$ 480,00 − R$ 111,40 = R$ 368,60.

Faça a conta com o seu salário exato — junto com o Imposto de Renda — na calculadora de salário líquido, que mostra a memória de cálculo linha por linha.

Qual é o teto do INSS em 2026 e o desconto máximo

O teto do INSS em 2026 é R$ 8.475,55. O INSS não incide sobre o que passa desse valor — por isso, quem ganha R$ 8.475,55 ou mais sempre paga o mesmo desconto máximo:

INSS máximo = R$ 8.475,55 × 14% − R$ 198,49 = R$ 988,09.

Isso vale igual para quem ganha R$ 9.000 ou R$ 40.000: o desconto para de crescer no teto, porque o próprio benefício futuro (a aposentadoria) também é limitado a esse valor.

Quanto paga o contribuinte individual (autônomo) em 2026

Quem trabalha por conta própria, presta serviço para empresas sem vínculo de emprego ou é sócio de empresa contribui como contribuinte individual, com duas opções:

  • Plano normal — 20%: incide sobre o salário de contribuição que a pessoa declarar, de um salário mínimo até o teto de R$ 8.475,55. Dá direito a todos os benefícios, incluindo aposentadoria por tempo de contribuição e valor proporcional ao que foi pago.
  • Plano simplificado — 11%: incide sobre um salário mínimo fixo (R$ 1.621,00 × 11% = R$ 178,31 por mês). É mais barato, mas só garante aposentadoria por idade no valor mínimo — não conta para aposentadoria por tempo de contribuição nem para benefícios de valor maior.

Quem contribui pelo plano simplificado e depois quer os direitos do plano normal pode complementar a diferença, mas o cálculo exato depende da competência — vale confirmar no Meu INSS ou com um contador antes de decidir.

Quanto paga o MEI de INSS

O Microempreendedor Individual não recolhe pela guia comum (GPS): a contribuição de 5% sobre o salário mínimo (R$ 81,05 em 2026) já vem embutida no DAS-MEI, junto com o ICMS e/ou o ISS do negócio, conforme a atividade. Essa alíquota reduzida garante aposentadoria por idade, auxílio-doença e outros benefícios de valor mínimo — mas, como no plano simplificado do autônomo, não conta tempo de contribuição. Quem quer esse direito precisa recolher uma guia complementar.

Quanto paga o segurado facultativo (quem não tem renda própria)

Quem não trabalha e não é obrigado a contribuir — como dona de casa, estudante maior de 16 anos ou desempregado que quer manter a qualidade de segurado — pode se inscrever como segurado facultativo:

  • Plano normal — 20% sobre o salário de contribuição escolhido (de um salário mínimo ao teto), com os mesmos direitos do contribuinte individual no plano normal.
  • Facultativo de baixa renda — 5% sobre um salário mínimo (R$ 81,05), exclusivo para quem se dedica exclusivamente ao trabalho doméstico na própria casa, está inscrito no CadÚnico e tem renda familiar de até 2 salários mínimos. Também não conta para aposentadoria por tempo de contribuição.

O que essa tabela não considera

Esta tabela mostra o desconto legal do INSS sobre o salário do mês, pela regra geral. Ela não cobre: 13º salário e férias (que têm tributação própria, calculada separadamente); categorias com regra específica, como servidores públicos vinculados a regime próprio de previdência; contribuições em atraso ou parceladas, que têm juros e correção à parte; e situações de mais de um vínculo (quem tem duas fontes de renda soma os salários até o teto único do INSS, o que pode exigir ajuste na declaração anual). Trate os valores como uma estimativa fiel à regra geral, não como um documento fiscal.

Onde conferir o seu desconto exato

Para o salário de empregado CLT, a forma mais rápida de ver o INSS junto com o Imposto de Renda — e o líquido final — é a calculadora de salário líquido. Ela usa exatamente esta tabela, com a memória de cálculo aberta. Para entender a fórmula completa e a base legal de cada linha, veja a metodologia das calculadoras. E se você está calculando o líquido do zero, o guia como calcular o salário líquido em 2026 mostra o passo a passo com o Imposto de Renda incluído.

Perguntas frequentes

O INSS incide sobre o salário inteiro na mesma alíquota?
Não. O INSS do empregado é progressivo: cada faixa do salário paga a sua própria alíquota, de 7,5% a 14%, como uma escada. O método da parcela a deduzir é um atalho matemático que chega ao mesmo resultado de somar faixa por faixa, sem precisar fazer conta por conta.
Quem ganha acima do teto paga mais INSS?
Não. O INSS não incide sobre o que passa do teto de R$ 8.475,55. Por isso, quem ganha R$ 10.000 ou R$ 30.000 paga exatamente o mesmo desconto máximo de R$ 988,09 — o valor não cresce mais depois do teto.
O autônomo é obrigado a contribuir com 20%?
Não. O contribuinte individual pode escolher o plano normal (20% sobre o salário de contribuição declarado, até o teto) ou o plano simplificado (11% sobre um salário mínimo, hoje R$ 178,31 por mês). A diferença é o direito: o plano simplificado só garante aposentadoria por idade no valor mínimo, sem contar para aposentadoria por tempo de contribuição nem dar direito a benefícios com valor proporcional ao que foi pago.
Quanto o MEI paga de INSS?
O MEI recolhe 5% do salário mínimo (R$ 81,05 em 2026) dentro do DAS-MEI, que já inclui esse valor mais o ICMS e/ou ISS do negócio. Essa alíquota reduzida garante aposentadoria por idade e outros benefícios de valor mínimo, mas não conta tempo de contribuição — quem quer esse direito precisa complementar a contribuição.
A empregada doméstica segue a mesma tabela do empregado comum?
Sim. Desde a Lei Complementar 150/2015, a contribuição da empregada doméstica ao INSS segue a mesma tabela progressiva do empregado CLT, com as mesmas faixas e alíquotas de 7,5% a 14% sobre o salário registrado na carteira.
Quem é dona de casa sem renda própria pode contribuir com desconto?
Pode, pelo plano do segurado facultativo de baixa renda: alíquota de 5% sobre um salário mínimo, desde que a família esteja inscrita no CadÚnico e tenha renda de até 2 salários mínimos. Como no MEI, essa alíquota reduzida não conta para aposentadoria por tempo de contribuição.

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