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Selic caiu para 14% em agosto de 2026: o que muda?

Atualizado em 7 de agosto de 2026 5 min de leitura Revisado
Arte do Benefício Claro sobre o corte da taxa Selic para 14% em agosto de 2026

O Banco Central cortou a taxa básica de juros do país mais uma vez. Se você já ouviu falar em “Selic” nos noticiários mas nunca entendeu direito o que isso muda na sua vida, este texto explica o que aconteceu em agosto de 2026 e, principalmente, o que muda de verdade no seu bolso — no cartão, no empréstimo e no dinheiro guardado.

Quanto caiu a Selic em agosto de 2026?

Na quarta-feira, 5 de agosto de 2026, o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) decidiu, por unanimidade, cortar a Selic em 0,25 ponto percentual, levando a taxa de 14,25% para 14% ao ano. A decisão foi tomada na 280ª reunião do comitê, realizada nos dias 4 e 5 de agosto, em Brasília.

Esse foi o quarto corte seguido de 0,25 ponto: o ciclo de queda começou em março de 2026, quando a Selic estava em 15% ao ano, e vem sendo reduzida aos poucos, reunião após reunião, até chegar aos 14% atuais.

Como acompanhar a Selic oficial

O valor atualizado da Selic e o histórico de decisões do Copom ficam disponíveis no site do Banco Central, no Portal de Dados Abertos. Desconfie de sites ou perfis que anunciam “novos valores” antes da divulgação oficial, sempre feita numa quarta-feira, ao fim da reunião.

Por que o Banco Central cortou os juros agora?

O corte veio dentro do esperado pelo mercado e foi apoiado por uma melhora recente nos indicadores de inflação: o IPCA-15 (prévia da inflação oficial) desacelerou para 4,52% acumulados em 12 meses até julho, e o dólar seguiu estável, próximo de R$ 5,11.

Ainda assim, o Copom foi cauteloso no comunicado. A inflação projetada pelo mercado (no boletim Focus) segue acima da meta: cerca de 5,0% para 2026 e 4,2% para 2027. Por isso, o comitê não prometeu novos cortes automáticos — disse apenas que o tamanho total do ciclo de “calibração” da Selic vai depender de novas informações sobre a inflação, e que os riscos para os preços seguem “maiores que o usual, com assimetria altista” (ou seja, mais chance de a inflação surpreender para cima do que para baixo).

Na prática, isso significa que o Banco Central deixou a porta aberta tanto para cortar de novo quanto para pausar, dependendo de como a inflação se comportar nos próximos meses.

O que muda no seu bolso com a Selic mais baixa

A Selic é a taxa que serve de referência para quase todo o crédito e todo o investimento em renda fixa do país. Um corte de 0,25 ponto é pequeno e não muda a vida de ninguém da noite para o dia, mas ajuda a entender a direção das coisas:

  • Empréstimo pessoal e financiamento tendem a ficar um pouco mais baratos ao longo do tempo, mas os bancos não repassam o corte de uma vez — geralmente o efeito aparece aos poucos, em novas contratações.
  • Cartão de crédito rotativo e cheque especial continuam sendo os juros mais caros do mercado, muitas vezes acima de 400% ao ano. Um corte de 0,25 ponto na Selic não resolve essa conta: a saída continua sendo nunca pagar só o mínimo da fatura e, se cair no rotativo, negociar ou trocar a dívida por um empréstimo mais barato o quanto antes. Veja mais dicas em como sair das dívidas e limpar o nome.
  • Crédito consignado do INSS tem um teto de juros revisado periodicamente com base, entre outros fatores, na Selic — a tendência de longo prazo é de leve redução, mas cada revisão do teto é feita em ato específico, não a cada reunião do Copom.
  • Poupança não muda com este corte. Veja o próximo tópico.
  • Tesouro Selic e CDBs pós-fixados passam a render um pouco menos a partir de agora, porque acompanham a Selic diretamente — mas continuam rendendo mais que a poupança na maior parte dos cenários.

A poupança rende menos agora?

Não, pelo menos não por causa deste corte específico. Existe uma regra em vigor desde 2012 (Lei 12.703/2012) que divide o rendimento da poupança em dois cenários:

  • Quando a Selic está acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + TR (Taxa Referencial) — regra que vale desde que a Selic ultrapassou esse patamar.
  • Quando a Selic está em 8,5% ao ano ou menos, a poupança passa a render 70% da Selic + TR, valor que fica ainda mais baixo.

Como a Selic segue em 14% ao ano — bem acima dos 8,5% — a poupança continua na primeira regra, sem mudança neste corte. Ela só passaria a render menos se o ciclo de cortes do Copom levasse a Selic para 8,5% ou abaixo, o que está longe do cenário atual.

Poupança x Tesouro Selic

Mesmo sem mudar com este corte, a poupança costuma render menos que opções como o Tesouro Selic ou um CDB de banco digital com boa liquidez — especialmente com a Selic ainda em patamar alto (14% ao ano). Antes de decidir, compare o rendimento líquido (depois do Imposto de Renda, quando houver) e verifique se você vai precisar do dinheiro no curto prazo.

Quando é a próxima reunião do Copom

O Copom se reúne a cada 45 dias. A próxima decisão está marcada para 15 e 16 de setembro de 2026, com o comunicado saindo ao final do dia 16. Depois dessa, o calendário de 2026 ainda prevê reuniões em 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro — sempre às terças e quartas-feiras, com o resultado divulgado no fim do segundo dia.

Se você tem dívidas, está pensando em financiar algo ou quer saber onde deixar uma reserva de emergência, vale acompanhar essas datas: cada novo corte (ou pausa) da Selic muda um pouco a conta do crédito e dos investimentos no país.

Quer organizar as contas antes de decidir o que fazer com o seu dinheiro? Veja também como limpar o nome no Serasa e no SPC e use o nosso simulador de benefícios para checar se você tem direito a algum programa social — é gratuito e não pede CPF.

Perguntas frequentes

O que é a Selic e quem decide o valor dela?
A Selic é a taxa básica de juros da economia brasileira. Ela é definida pelo Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central), que se reúne a cada 45 dias para decidir se sobe, mantém ou corta a taxa. A Selic serve de referência para praticamente todos os outros juros do país: empréstimos, financiamentos, poupança e investimentos em renda fixa.
A Selic mais baixa faz a poupança render mais?
Não, neste caso. A poupança só rende 70% da Selic quando a taxa está em 8,5% ao ano ou menos. Como a Selic está bem acima disso (14% ao ano), a poupança continua na regra antiga, fixa em 0,5% ao mês mais a TR (Taxa Referencial) — pela Lei 12.703/2012. Ela só passaria a render menos se a Selic caísse até 8,5% ou abaixo.
O corte da Selic diminui a fatura do cartão de crédito na hora?
Não de forma automática. Os juros do cartão de crédito rotativo e do cheque especial são definidos pelos bancos e seguem sendo os mais caros do mercado, muitas vezes acima de 400% ao ano — bem distantes da Selic. Um corte de 0,25 ponto na Selic não é repassado a esses juros na mesma proporção. A forma mais eficaz de reduzir a fatura continua sendo pagar o valor total (nunca só o mínimo) e, se estiver no rotativo, buscar negociar ou trocar por um empréstimo mais barato.
Como a Selic afeta o consignado do INSS?
O teto de juros do crédito consignado para aposentados e pensionistas do INSS é revisado periodicamente pelo Conselho Nacional de Previdência com base, entre outros fatores, na Selic. Com a taxa básica em queda, a tendência é de novas revisões para baixo nesse teto ao longo do tempo, mas o valor exato de cada revisão é definido em ato específico — não muda automaticamente a cada reunião do Copom.
Quando é a próxima decisão do Copom?
A próxima reunião do Copom está marcada para 15 e 16 de setembro de 2026. O calendário completo do ano prevê ainda encontros em 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. As decisões são sempre divulgadas na quarta-feira, ao final do segundo dia de reunião.
Selic mais baixa é sempre um sinal bom para a economia?
É um sinal de que o Banco Central avalia que pode afrouxar um pouco o controle da inflação sem perder o controle dela, o que geralmente ajuda o crédito e o consumo. Mas o próprio Copom foi cauteloso: a inflação projetada para 2026 e 2027 ainda está acima da meta, então o comitê não garantiu novos cortes nas próximas reuniões — tudo depende dos próximos números de inflação e do cenário econômico.

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