Biometria no Bolsa Família: prazo até dezembro de 2026
Quem recebe o Bolsa Família ou está inscrito no CadÚnico ganhou um novo prazo no calendário deste ano: fazer o cadastro biométrico até 31 de dezembro de 2026. A regra não é nova — já vinha sendo anunciada desde o fim de 2025 —, mas o governo confirmou a data final em abril, e milhões de famílias ainda não fizeram esse cadastro. Entenda o que muda, quem precisa se preocupar e como resolver isso sem gastar nada.
O que é essa exigência de biometria?
A Portaria Conjunta nº 23, publicada no Diário Oficial da União em 30 de abril de 2026, determinou que pessoas elegíveis ao Bolsa Família e inscritas no Cadastro Único precisam ter os dados biométricos — foto do rosto e digitais — registrados até o fim do ano. O objetivo declarado pelo governo é reforçar a segurança dos programas sociais, reduzir fraudes (como o uso indevido do NIS de outra pessoa) e garantir que o dinheiro chegue mesmo a quem tem direito.
Essa biometria não é um cadastro à parte, criado só para o Bolsa Família: ela é a mesma coletada na emissão da Carteira de Identidade Nacional (CIN), o novo documento de identidade que está substituindo o RG e usa o CPF como número único. Ou seja, quem já tirou a CIN recentemente já cumpriu a exigência.
O mesmo prazo — 31 de dezembro de 2026 — também vale para quem solicita salário-maternidade, benefício por incapacidade (o antigo auxílio-doença), pensão por morte, seguro-desemprego e abono salarial. É uma exigência da Seguridade Social como um todo, não apenas do Bolsa Família.
Quem precisa fazer a biometria?
Precisa se cadastrar quem está nessas situações e ainda não tem os dados biométricos registrados em nenhum sistema do governo:
- Famílias inscritas no CadÚnico que são elegíveis ou já recebem o Bolsa Família.
- Pessoas que forem pedir salário-maternidade, auxílio por incapacidade, pensão por morte, seguro-desemprego ou abono salarial a partir de agora.
Se você já fez a Carteira de Identidade Nacional, tirou um passaporte biométrico recente ou já passou por coleta de digitais em algum posto do governo nos últimos anos, é provável que seus dados já estejam integrados — mas, na dúvida, vale confirmar no CRAS ou ao agendar a CIN.
O que acontece se eu não fizer até o prazo?
Quem não regularizar a biometria até 31 de dezembro de 2026 pode ter o benefício bloqueado, ficando sem receber até resolver a pendência. Não é um cancelamento definitivo: assim que a pessoa faz a biometria, o pagamento volta a ser liberado normalmente, incluindo eventuais parcelas retidas dentro do prazo de saque (120 dias).
Vale reforçar: isso é diferente da revisão cadastral do Bolsa Família, que verifica se a renda e a composição da família continuam batendo com o que está no CadÚnico. São duas exigências separadas — dá para estar em dia com uma e pendente na outra. Se você já foi bloqueado por desatualização cadastral antes, veja o que fazer em Bolsa Família bloqueado, suspenso ou cancelado.
Existe alguma isenção?
Sim, para um grupo específico. A portaria dispensa temporariamente a biometria para quem está impossibilitado de se deslocar por mais de 30 dias, por motivo de saúde ou de deficiência. Para usar essa exceção, é preciso apresentar um atestado médico que declare, por escrito, a impossibilidade de deslocamento e por quanto tempo ela vale. Nesses casos, a comprovação biométrica pode ser feita depois, mas o benefício pode ficar retido até a regularização.
Como fazer o cadastro biométrico, passo a passo
A boa notícia é que o processo é simples e totalmente gratuito — ele é feito junto com a emissão da 1ª via da Carteira de Identidade Nacional (CIN):
- Separe os documentos. Leve a certidão de nascimento ou de casamento. Se já tiver o RG antigo e o CPF, também ajuda a agilizar.
- Agende o atendimento. Cada estado tem seu próprio sistema de agendamento, geralmente pelo Instituto de Identificação da Polícia Civil ou pelo Detran — procure “agendamento CIN” mais o nome do seu estado, ou entre no portal Carteira de Identidade Nacional do governo federal para ser direcionado ao serviço do seu estado.
- Compareça no dia marcado para tirar a foto do rosto e coletar as digitais. O atendimento e a 1ª via da CIN não custam nada.
- Aguarde a integração. Depois de emitida, a biometria fica vinculada ao seu CPF e passa a valer automaticamente para o CadÚnico e para o Bolsa Família. Se o pagamento continuar bloqueado mesmo depois de feita a biometria, leve o comprovante da CIN ao CRAS.
O cadastro biométrico é gratuito e feito apenas em órgãos oficiais (institutos de identificação estaduais, Detrans ou postos do Poupatempo, conforme o estado). Ninguém liga cobrando taxa para “regularizar” a biometria, e você nunca deve informar sua senha do gov.br ou do Caixa Tem por telefone, WhatsApp ou e-mail.
Vale a pena esperar para o fim do prazo?
Não. Como o agendamento depende da agenda de cada posto — e alguns estados têm fila —, deixar para dezembro aumenta o risco de não conseguir horário a tempo e ficar com o benefício bloqueado por atraso. Quem ainda não fez a biometria ganha ao se antecipar: além de evitar o bloqueio, já sai com a nova identidade nacional em mãos, útil para outros serviços.
Se você ainda tem dúvida sobre outras exigências do Cadastro Único, veja o passo a passo completo em como atualizar o CadÚnico ou confira se continua tendo direito ao benefício em quem tem direito ao Bolsa Família.
Fontes oficiais
- Beneficiários de programas sociais devem realizar cadastro biométrico até 31 de dezembro de 2026 — MDS (gov.br)
- Beneficiários de programas sociais precisam fazer cadastro biométrico até 31 de dezembro de 2026 — Ministério da Gestão (gov.br)
- Carteira de Identidade Nacional (CIN) — 1ª via gratuita — Ministério da Gestão (gov.br)