Quanto custa parcelar a fatura do cartão de crédito?
Neste artigo
- 1.O que é o crédito rotativo do cartão?
- 2.Quanto custa ficar no rotativo hoje?
- 3.Por que o rotativo não pode durar mais de 30 dias?
- 4.Quanto custa parcelar a fatura?
- 5.O teto de 100%: até onde os juros podem crescer
- 6.Exemplo: quanto uma dívida de R$ 1.000 pode crescer
- 7.Rotativo, parcelado ou outro crédito: o que vale mais a pena?
- 8.Como sair do rotativo sem piorar a dívida
- 9.O que essa conta não considera
- 10.Perguntas frequentes
Quem não paga a fatura inteira do cartão cai automaticamente no rotativo — a linha de crédito mais cara do país. Poucas pessoas sabem, porém, que esse crédito só pode durar 30 dias por lei, que existe um teto para o tanto que os juros podem crescer, e que o parcelamento que o banco oferece depois costuma sair bem mais barato. Veja a conta, com os números atuais do Banco Central.
O que é o crédito rotativo do cartão?
O rotativo entra em ação quando você paga só uma parte da fatura — o mínimo ou qualquer valor entre o mínimo e o total — até a data de vencimento. O restante que ficou em aberto passa a ser financiado automaticamente pelo banco, com juros cobrados dia a dia até a próxima fatura.
Não existe contrato para assinar nem aviso prévio: o rotativo é ativado sozinho assim que a fatura não é quitada por completo, mesmo que falte apenas alguns reais.
Quanto custa ficar no rotativo hoje?
O rotativo é, historicamente, a modalidade de crédito mais cara do mercado brasileiro. Em julho de 2026, a taxa média cobrada pelos bancos era de 436,2% ao ano, o equivalente a cerca de 15% ao mês — uma pequena queda frente aos 442,4% ao ano registrados em junho, segundo dados do Banco Central.
Para efeito de comparação, o cartão parcelado (a modalidade que o banco oferece quando o rotativo vence) custava, no mesmo mês, 189,3% ao ano, ou por volta de 9% ao mês — bem menos da metade do custo do rotativo, mas ainda alto se comparado a outras linhas de crédito, como o consignado.
Essas são médias nacionais: cada instituição financeira define sua própria taxa, e ela pode variar bastante entre bandeiras e bancos. Vale conferir o contrato do seu cartão ou o aplicativo do banco para saber a taxa exata que você paga.
Por que o rotativo não pode durar mais de 30 dias?
Desde 2017, uma regra do Banco Central (Resolução CMN nº 4.549) limita o tempo em que uma dívida pode ficar no rotativo: no máximo até o vencimento da fatura seguinte, ou seja, cerca de 30 dias.
Se, ao chegar a segunda fatura, o saldo ainda não foi pago por completo, o banco é obrigado a oferecer o parcelamento do valor em aberto — e esse parcelamento precisa ter condições melhores que as do rotativo, inclusive juros mais baixos. Na prática, isso significa que ninguém pode ficar “preso” no rotativo por vários meses seguidos pagando sempre o mínimo: a partir do segundo mês, a dívida vira parcelas.
Quanto custa parcelar a fatura?
O parcelamento oferecido pelo banco (às vezes chamado de “parcelamento do saldo devedor” ou “refinanciamento da fatura”) também cobra juros — só que menores que o rotativo. Em julho de 2026, essa taxa média estava em torno de 9% ao mês, contra os cerca de 15% ao mês do rotativo.
Isso não significa que parcelar seja barato: 9% ao mês, aplicados sobre um saldo que já cresceu no rotativo, ainda representa um custo alto quando comparado a outras formas de crédito. Mas é sempre mais vantajoso do que deixar a dívida rolando no rotativo por conta própria — o que, aliás, a lei não permite além de uma fatura.
O teto de 100%: até onde os juros podem crescer
Desde 2024, uma resolução do Conselho Monetário Nacional, editada com base na Lei do Desenrola Brasil (Lei nº 14.690/2023), limita os juros e encargos cobrados no rotativo e no parcelamento do cartão a 100% do valor original da dívida.
Na prática: se você deve R$ 1.000 e nunca paga nada, os juros e encargos cobrados por cima nunca podem ultrapassar mais R$ 1.000 — o total da dívida, incluindo os encargos, tem um teto de R$ 2.000. Antes dessa regra, era comum ver dívidas de cartão multiplicarem várias vezes o valor original, porque os juros incidiam sobre juros sem limite.
100% de teto ainda significa que a dívida pode dobrar de tamanho. O jeito mais barato de lidar com o rotativo continua sendo pagar a fatura inteira sempre que possível, ou negociar o quanto antes se isso não for viável.
Exemplo: quanto uma dívida de R$ 1.000 pode crescer
Veja a conta com valores redondos, usando as taxas médias de julho de 2026 (rotativo a 15% ao mês, parcelado a 9% ao mês):
- Fatura de R$ 1.000, paga só o mínimo (20%, ou R$ 200). Ficam R$ 800 no rotativo.
- 30 dias no rotativo, a 15% ao mês: R$ 800 × 15% = R$ 120 de juros. O saldo, na fatura seguinte, sobe para R$ 920.
- A fatura seguinte não é paga por completo — pela regra dos 30 dias, o banco não pode manter o valor no rotativo de novo. Ele deve oferecer o parcelamento dos R$ 920, por exemplo em 6 parcelas, a 9% ao mês.
- Parcelando R$ 920 em 6 vezes a 9% ao mês (juros compostos, sistema de parcelas fixas), o total pago ao fim das parcelas fica em torno de R$ 1.230 — ou seja, cerca de R$ 310 só de juros do parcelamento, além dos R$ 120 que já tinham sido cobrados no rotativo.
Nesse exemplo, uma dívida original de R$ 800 (o que sobrou depois do pagamento mínimo) termina custando cerca de R$ 430 em juros — bem abaixo do teto de 100%, mas ainda um valor alto para financiar uma compra do dia a dia. Quanto mais parcelas e mais tempo em aberto, mais perto do teto de 100% a dívida chega.
Rotativo, parcelado ou outro crédito: o que vale mais a pena?
Diante de uma fatura que não cabe no orçamento, vale comparar o custo do cartão com outras alternativas antes de deixar a dívida rolar:
- Empréstimo consignado (para quem tem carteira assinada, é aposentado ou pensionista do INSS) costuma ter juros bem menores que o rotativo e o parcelado do cartão, porque o risco para o banco é menor.
- FGTS pelo Desenrola Brasil: quem ganha até 5 salários mínimos e tem uma dívida bancária vencida pode usar parte do saldo do FGTS para abater o débito, dentro de limites específicos — veja o passo a passo em como usar o FGTS para pagar dívidas no Desenrola Brasil.
- Negociação direta com o banco: muitas vezes o próprio banco oferece uma renegociação com desconto e juros menores do que o parcelamento padrão, principalmente para quem já está em atraso.
Antes de contratar qualquer crédito para quitar o cartão, compare o Custo Efetivo Total (CET) das opções — ele já inclui juros, tarifas e seguros, e é o número que realmente mostra qual alternativa sai mais barata.
Como sair do rotativo sem piorar a dívida
- Pague o máximo que conseguir na fatura, mesmo que não seja o valor total — quanto menor o saldo que sobra, menores os juros do mês seguinte.
- Não use o cartão para novas compras enquanto estiver no rotativo. Isso só aumenta o saldo que está rendendo os juros mais altos do mercado.
- Peça o parcelamento assim que puder, sem esperar o banco oferecer — algumas instituições permitem negociar antes mesmo do vencimento da segunda fatura.
- Se o nome já foi negativado, consulte gratuitamente o Serasa e o SPC e veja as ofertas de negociação, muitas vezes com desconto — o passo a passo está em como limpar o nome no Serasa e no SPC.
O que essa conta não considera
Os números deste artigo são médias nacionais divulgadas pelo Banco Central — a taxa do seu cartão pode ser maior ou menor, dependendo do banco, da bandeira e do seu histórico de crédito. A conta também não inclui eventuais tarifas, anuidade ou seguros vinculados ao cartão, que aumentam o custo total mas não entram no cálculo dos juros do rotativo ou do parcelado. Para saber a taxa exata que você paga, consulte a fatura ou o aplicativo do seu banco.
Perguntas frequentes
Reunimos abaixo as dúvidas mais comuns de quem quer entender o custo real do rotativo e do parcelamento do cartão.