O que é o Cadastro Único (CadÚnico) e para que serve?
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Muita gente já ouviu falar do Cadastro Único, ou CadÚnico, mas confunde ele com o próprio Bolsa Família ou não sabe exatamente para que serve. A confusão é comum: o CadÚnico não é um benefício em si, é a base de dados que o governo usa para saber quem são as famílias de baixa renda do país e decidir quem pode entrar em programas sociais. Entender como ele funciona é o primeiro passo antes de se inscrever em qualquer benefício.
O que é o Cadastro Único
O Cadastro Único para Programas Sociais é um registro do Governo Federal que reúne informações sobre famílias de baixa renda em todo o Brasil: quem mora na casa, quanto ganha, onde estuda, se tem alguma deficiência, entre outros dados. Ele é coordenado nacionalmente pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS), mas o cadastro em si é feito e atualizado pelas prefeituras, de graça, geralmente no CRAS (Centro de Referência de Assistência Social).
Na prática, o CadÚnico funciona como uma espécie de “porta de entrada”: para participar da maioria dos programas sociais do governo federal, estadual ou municipal, a família precisa estar cadastrada e com os dados em dia. Mas atenção: estar no CadÚnico não dá direito automático a nenhum benefício. Cada programa — Bolsa Família, BPC, Tarifa Social de Energia — tem os seus próprios critérios de seleção e concessão, além de estar no cadastro.
Quem pode se inscrever no Cadastro Único
Podem se cadastrar famílias que se encaixam em uma destas duas situações:
- Renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa — em 2026, com o salário mínimo em R$ 1.621, isso equivale a R$ 810,50 por pessoa da família.
- Renda familiar mensal total de até três salários mínimos — em 2026, R$ 4.863 — quando a família precisa se cadastrar para participar de um programa social específico que exige o CadÚnico como requisito, mesmo sem se enquadrar na regra de renda per capita.
O cadastro também está disponível para situações específicas, como pessoas em situação de rua, comunidades tradicionais (indígenas, quilombolas, ribeirinhos) e famílias compostas por uma única pessoa (as chamadas famílias unipessoais).
Para calcular a renda por pessoa, some o que todos que moram na casa ganham por mês e divida pelo número de pessoas. Por exemplo, uma família de 3 pessoas com renda total de R$ 1.800 tem renda por pessoa de R$ 600 (R$ 1.800 ÷ 3) — dentro do limite de R$ 810,50.
Quais benefícios usam o Cadastro Único
O CadÚnico é usado como referência por dezenas de programas sociais federais, estaduais e municipais. Entre os principais:
- Bolsa Família — transferência de renda mensal para famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza.
- BPC/LOAS — benefício de um salário mínimo para idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.
- Tarifa Social de Energia Elétrica — desconto na conta de luz.
- Gás do Povo — vale para compra do botijão de gás.
- Pé-de-Meia — incentivo financeiro para estudantes do ensino médio da rede pública.
- Minha Casa, Minha Vida — faixas de subsídio habitacional para famílias de baixa renda.
- ID Jovem e isenção de taxa em concursos e vestibulares — para quem está inscrito no CadÚnico dentro do limite de renda.
Cada um desses programas soma, ao critério do CadÚnico, exigências próprias — por isso duas famílias com a mesma renda podem ter acesso a benefícios diferentes, dependendo da composição familiar, idade, situação de saúde ou outros fatores.
Quais documentos levar para se cadastrar
O cadastro é feito pessoalmente, então é preciso reunir a documentação de todos que moram na casa antes de ir ao CRAS:
- Responsável familiar (quem responde pelo grupo): CPF ou título de eleitor, documento oficial com foto e comprovante de residência (ou uma declaração de residência, se não tiver o comprovante).
- Demais pessoas da família: qualquer um destes documentos já serve — certidão de nascimento, certidão de casamento, CPF, RG, carteira de trabalho ou título de eleitor.
Se algum documento estiver faltando, o cadastro pode ser iniciado mesmo assim, mas fica incompleto até a família regularizar a papelada — o que pode atrasar a entrada em programas sociais. Vale a pena reunir tudo com antecedência usando o checklist de documentos do Benefício Claro.
Como funciona a inscrição, passo a passo
A inscrição inicial não pode ser feita pela internet, porque envolve entrevista e, em muitos municípios, coleta de biometria. O caminho é:
- Confira se a renda da família está dentro do limite somando os ganhos de todos e dividindo pelo número de pessoas.
- Separe os documentos de cada morador da casa, como listado acima.
- Procure o CRAS do seu bairro — em boa parte das cidades é preciso agendar antes, por telefone ou pelo site da prefeitura.
- Passe pela entrevista com um profissional do CRAS, que registra os dados da família no sistema.
- Acompanhe o resultado pelo aplicativo Meu CadÚnico ou pelo site cadunico.cidadania.gov.br, usando login gov.br.
Depois de cadastrada, a família pode ser considerada para os programas sociais disponíveis — mas a entrada em cada um depende de seleção própria e do orçamento existente, e pode levar tempo.
De quanto em quanto tempo preciso atualizar o cadastro
O Cadastro Único precisa ser atualizado a cada 2 anos (24 meses), mesmo que nada tenha mudado na família, e também sempre que houver alteração relevante: nascimento ou saída de alguém de casa, mudança de renda, de endereço, ou de situação escolar dos filhos. Quando o cadastro passa de 2 anos sem atualização, o município pode convocar a família para a chamada revisão cadastral — e ignorar essa convocação pode levar à suspensão de benefícios como o Bolsa Família até a regularização. Veja como funciona esse processo em como atualizar o Cadastro Único e em revisão cadastral do CadÚnico: quem foi convocado.
O cadastro é gratuito — cuidado com golpes
A inscrição, a atualização e a consulta ao Cadastro Único nunca custam nada. Não existe taxa para “agilizar” o cadastro, “liberar” um benefício ou “atualizar mais rápido”. Golpes costumam aparecer em anúncios ou mensagens que imitam o aplicativo oficial e pedem pagamento para resolver alguma pendência. O aplicativo correto se chama Cadastro Único (ou “Meu CadÚnico”), é gratuito, e só deve ser baixado pela Play Store ou App Store, verificando que pertence à conta oficial do governo brasileiro. Na dúvida, o caminho mais seguro é ir direto ao CRAS ou acessar cadunico.cidadania.gov.br com login gov.br.
Se você ainda não sabe por onde começar, o simulador do Benefício Claro ajuda a entender, em menos de um minuto e sem pedir CPF, quais benefícios você pode ter direito antes de ir ao CRAS.